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Por que a linguagem inclusiva faz a diferença?

Entenda por que a forma como nos comunicamos contribui para o respeito, à inclusão e a valorização das pessoas com deficiência.

  • Institucional

27/07/2026 por Bruna Mariano

Tempo de Leitura: 3 minutos

As palavras fazem parte do nosso dia a dia. Elas estão presentes nas conversas, nas salas de aula, no ambiente de trabalho e em todos os espaços de convivência. Elas refletem a forma como enxergamos o mundo e nos relacionamos com as pessoas. 

Ao longo da história, diferentes termos foram utilizados para se referir às pessoas com deficiência. Expressões como “inválido”, “aleijado”, “incapacitado”, “especial” e até mesmo “portador de deficiência” já foram consideradas comuns, mas hoje são entendidas como inadequadas por carregarem significados associados ao preconceito, à exclusão ou à ideia de incapacidade. 

Essa mudança não aconteceu por acaso. Ela é resultado da mobilização das próprias pessoas com deficiência, que passaram a reivindicar não apenas direitos, mas também uma forma de serem reconhecidas que respeitasse sua identidade e cidadania. 

Segundo Lanna Júnior, na obra História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil (2010), foi justamente a atuação desse movimento que contribuiu para transformar a forma como a sociedade compreende a deficiência. Aos poucos, ela deixou de ser vista apenas sob uma perspectiva assistencialista para ser reconhecida como uma questão de direitos humanos, participação social e cidadania. 

Essa evolução também se refletiu na linguagem. De acordo com Romeu Kazumi Sassaki, em Terminologia sobre Deficiência na Era da Inclusão (2003), o termo “pessoa com deficiência” tornou-se a nomenclatura mais adequada porque coloca a pessoa em primeiro lugar. A deficiência é uma característica que faz parte de sua identidade, mas não a define por completo. 

A adoção dessa expressão pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) e pela legislação brasileira reforça essa compreensão. Diferentemente da expressão “portador de deficiência”, hoje se entende que a deficiência não é algo que alguém carrega e pode deixar de lado. Ela faz parte da experiência de vida daquela pessoa e da forma como interage com o mundo. 

Outro aspecto importante é que o conceito atual de deficiência também passou por uma transformação. Conforme explica Izabel Maior, autora da obra Quem são as pessoas com deficiência: o novo conceito trazido pela Convenção da ONU (2015), a deficiência não está apenas nas características individuais, mas também nas barreiras físicas, comunicacionais, atitudinais e sociais que dificultam a participação plena das pessoas na sociedade. 

PEQUENAS MUDANÇAS QUE FAZEM DIFERENÇA

Algumas expressões utilizadas por muitos anos vêm sendo substituídas por termos mais respeitosos e alinhados às discussões sobre inclusão. 

Em vez de “portador de deficiência”, recomenda-se utilizar “pessoa com deficiência”. Da mesma forma, o termo “surdo-mudo” vem sendo substituído por “pessoa surda”, já que a surdez não implica, necessariamente, incapacidade de falar. Também é indicado evitar expressões como “necessidades especiais”, que podem transmitir uma compreensão equivocada sobre a deficiência. 

Essas mudanças representam uma transformação na forma como compreendemos a diversidade humana e reconhecemos o protagonismo das pessoas com deficiência. 

A COMUNICAÇÃO TAMBÉM É UMA FERRAMENTA DE INCLUSÃO

Também é importante reconhecer que muitas pessoas utilizam termos considerados inadequados sem qualquer intenção de ofender. Isso acontece porque essas expressões fizeram parte da nossa formação, foram reproduzidas por familiares, professores, meios de comunicação e até documentos oficiais durante muitos anos. 

Por isso, promover informação e incentivar o diálogo é muito mais eficaz do que apontar erros. Quando conhecemos o significado das palavras e entendemos por que determinadas expressões deixaram de ser utilizadas, ampliamos nossa capacidade de construir ambientes mais acolhedores e respeitosos. 

Na UNISUAM, entendemos que a inclusão acontece de diferentes formas. Ela está na acessibilidade física, nas políticas institucionais, nas oportunidades oferecidas e também na maneira como nos comunicamos diariamente. 

Cada palavra pode contribuir para fortalecer uma cultura baseada no respeito às diferenças, na valorização das pessoas e na construção de espaços onde todos possam participar plenamente. 

UM CONVITE À REFLEXÃO

A linguagem acompanha as transformações da sociedade. À medida que ampliamos nossa compreensão sobre inclusão, também evoluímos na forma de nos expressar. 

Vale refletir: você já parou para pensar nas palavras que utiliza no dia a dia? Já percebeu como algumas expressões, mesmo usadas sem intenção de ofender, podem reforçar estereótipos ou preconceitos? Conhecer essas mudanças é uma oportunidade para tornar nossa comunicação mais respeitosa e consciente. 

Na UNISUAM, acreditamos que uma sociedade mais inclusiva é construída por grandes iniciativas, mas também por pequenas escolhas cotidianas. E uma delas é a forma como nos comunicamos. Afinal, quando escolhemos palavras que respeitam as pessoas, contribuímos para que a inclusão aconteça todos os dias. 

“Este texto foi desenvolvido por Vinícius Coutinho Ramos, RJPS/UNISUAM, com base nas informações fornecidas por ele. O conteúdo foi reescrito e adaptado para esta publicação, mantendo as ideias centrais, mas utilizando uma nova redação”. 

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Por Bruna Mariano

Analista de Marketing no LinkedIn e Blog UNISUAM. Jornalista e Pós-Graduado em Comunicação Digital e Redes Sociais.

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