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Institucional
20/07/2026 por Bruna Mariano
Tempo de Leitura: 3 minutos
Academias e espaços de musculação costumam ser associados a hábitos saudáveis, superação de metas e promoção da qualidade de vida. No entanto, por trás dos espelhos, dos treinos e da busca pelo desempenho físico, existe uma realidade que ainda permanece invisibilizada: o assédio sexual vivenciado por muitas mulheres que atuam como profissionais de Educação Física.
Com o objetivo de ampliar o debate sobre esse tema e promover a conscientização entre os futuros profissionais da área, alunos do curso de Psicologia da UNISUAM realizaram a palestra “Meu corpo, suas regras? Assédio Sexual em Ambientes de Musculação sob a Ótica da Saúde Mental no Trabalho”, direcionada aos estudantes de Educação Física.
A atividade proporcionou um espaço de diálogo interdisciplinar sobre violência de gênero, relações de poder, saúde mental e ética profissional, evidenciando que promover saúde também significa construir ambientes seguros e respeitosos.
Segundo o professor Marcel Lima Lessa de Souza, Mestre em Ciências da Reabilitação e docente do curso de Educação Física da UNISUAM, abordar esse tema na formação acadêmica é uma responsabilidade coletiva. “Não podemos falar em promoção da saúde ignorando situações que comprometem a dignidade, a segurança e o bem-estar de quem trabalha nesses espaços”.
QUANDO O CORPO DEIXA DE SER INSTRUMENTO DE TRABALHO
Profissionais de Educação Física utilizam o próprio corpo como ferramenta de comunicação, demonstração técnica e orientação durante o exercício. No entanto, em muitos contextos, especialmente para as mulheres, esse corpo passa a ser alvo de observações invasivas, comentários inadequados e interpretações marcadas pela sexualização.
A palestra destacou que fatores como o culto ao corpo, o machismo estrutural e a naturalização de determinadas condutas contribuem para tornar esses profissionais mais vulneráveis a situações de assédio. “Quando comportamentos invasivos são tratados como algo normal, cria-se uma cultura que dificulta o reconhecimento da violência e o enfrentamento do problema”, observa o professor.
Comentários sobre aparência física, insinuações, aproximações constrangedoras e toques sem consentimento são exemplos de situações relatadas por diversas mulheres que atuam no ambiente das academias.
O IMPACTO DO ASSÉDIO NA SAÚDE MENTAL
O assédio sexual não provoca apenas desconforto momentâneo. Seus efeitos podem repercutir profundamente na saúde emocional e na vida profissional das vítimas. A exposição frequente a situações de desrespeito pode favorecer o surgimento de ansiedade, estresse crônico, insegurança, esgotamento emocional e sintomas depressivos.
Além disso, muitas mulheres passam a modificar suas rotinas como estratégia de autoproteção. Mudam a forma de se vestir, evitam determinados espaços, reduzem interações e permanecem em constante estado de alerta.
“O ambiente de trabalho deve ser um espaço de desenvolvimento e realização profissional, não um local onde a pessoa precisa estar permanentemente em vigilância para se proteger”, destaca Marcel Lima Lessa de Souza. Sob a perspectiva da saúde mental no trabalho, reconhecer esses impactos é fundamental para compreender a dimensão do problema.
O SILÊNCIO TAMBÉM FAZ PARTE DA VIOLÊNCIA
Outro aspecto importante debatido durante a atividade foi o silenciamento das vítimas. O medo de sofrer retaliações, a insegurança em relação às consequências da denúncia e a ausência de suporte institucional fazem com que muitos profissionais optem por não relatar as situações vivenciadas. Em alguns casos, a violência é tão banalizada que passa a ser interpretada como parte inevitável da profissão.
Segundo o professor, romper essa lógica exige uma mudança cultural. “Precisamos construir ambientes em que as vítimas se sintam acolhidas, ouvidas e apoiadas. O silêncio não protege quem sofre violência; ele protege a permanência do problema”.
A IMPORTÂNCIA DA CIÊNCIA E DA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
Embora o debate sobre assédio sexual tenha ganhado mais visibilidade nos últimos anos, ainda existem lacunas importantes na produção científica voltada à realidade das profissionais de Educação Física que atuam em academias e espaços de musculação.
Esse cenário evidencia a necessidade de ampliar pesquisas capazes de compreender os impactos do assédio na saúde mental, nas relações de trabalho e na permanência dessas mulheres no mercado profissional. Para Marcel, a universidade desempenha papel estratégico nesse processo. “A produção de conhecimento é uma ferramenta de transformação social. Pesquisar, discutir e divulgar essas questões é parte do compromisso ético da formação acadêmica”.
FORMAR PROFISSIONAIS MAIS CONSCIENTES E HUMANIZADOS
A iniciativa desenvolvida pelos estudantes de Psicologia, em parceria com o curso de Educação Física, reforça o potencial dos diálogos interdisciplinares dentro do ambiente universitário. Ao aproximar diferentes áreas do conhecimento, a universidade contribui para formar profissionais mais preparados para lidar com desafios complexos da sociedade contemporânea. A educação superior também deve estimular empatia, senso crítico e responsabilidade social.
“Falar sobre respeito, igualdade de gênero e saúde mental é formar profissionais capazes de promover cuidado em sua dimensão mais ampla”, ressalta o docente.
Este texto foi desenvolvido a partir das contribuições do professor Marcel Lima Lessa de Souza, Mestre em Ciências da Reabilitação e docente do curso de Educação Física da UNISUAM. O conteúdo foi reescrito e adaptado para esta publicação, preservando as ideias centrais discutidas durante a atividade.
Analista de Marketing no LinkedIn e Blog UNISUAM. Jornalista e Pós-Graduado em Comunicação Digital e Redes Sociais.
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