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Mulher, Tome Partido!

A Profª de Direito Patrícia Bordinhão traz a importância do movimento de mulheres em prol da igualdade de direitos para representatividade e poder.

  • Seu Direito, Mulher!

18/02/2022 por Patrícia Bordinhão

Tempo de Leitura: 3 minutos

A representatividade das mulheres na política passa pela compreensão do que são minorias e que isso não tem a ver com quantidade, mas com a qualidade da representação nos espaços de poder existentes, seja na política, trabalho ou na mídia.

 

Ao longo da história, a ocupação de espaços privados eram o único destino às mulheres, realizando tarefas domésticas, cuidando dos filhos, marido, idosos, enquanto o espaço público era destinado aos homens. Essa desigualdade persiste até hoje, principalmente, nas camadas mais pobres da população, por isso, ser representada é uma forma de normalizar a presença das mulheres nos ambientes sociais. Defender a representatividade feminina é falar na defesa de uma sociedade mais igualitária, na busca pela garantia de direitos e na criação de modelos femininos diversificados que possam servir de inspiração para outras meninas e mulheres. Por exemplo, ao alçarmos uma mulher ao cargo de presidência da república, representando verdadeiramente os anseios nacionais, cria-se no imaginário coletivo que outras também poderão chegar lá.

 

A representatividade é um direito e busca por reconhecimento e reparação de discriminações históricas. Muitas são as barreiras que as mulheres enfrentam desde a infância: modelos de mulheres na política não são apresentados às meninas para que possam se inspirar, não nascem em famílias em que as mulheres são lideranças reconhecidas na esfera pública. A representatividade familiar passa a ser masculina, por isso a persistência de genealogias de homens na política.

 

O movimento de mulheres em prol da igualdade de direitos, ao longo dos anos, proporcionou que mais mulheres pudessem exercer a sua representatividade e poder. No âmbito político, o voto feminino e o direito à candidatura somente foram possíveis em fevereiro de 1932.

 

voto feminino no brasil

 

Ultrapassada a barreira do reconhecimento ao se elegerem, as mulheres precisam enfrentar mais um desafio, a descrença na sua inteligência e capacidade política pela sexualização de seus corpos ou pelo demérito de seus modos.

 

Ademais, para a materialização de uma democracia, é fundamental o fortalecimento da representatividade feminina, visto que oportuniza a esse grupo um “lugar” nas discussões do entorno, não apenas de direitos universais, mas também de direitos que são próprios, ou seja, os direitos da mulher, em um contexto em que há violência, preconceito e exclusão em relação às mulheres.

 

Quando temos ausência de um grupo tão importante como o das mulheres, temas fundamentais são ignorados, como a urgência de creche, transporte público para mulheres que trabalham à noite. Garantia de políticas públicas para o principal emprego de mulheres no Brasil, que é o emprego doméstico. Desde questões relacionadas à infância no cuidado de crianças, como creches, até transporte, saúde ou trabalho, a precarização do trabalho que acarreta a pobreza feminina.

 

Embora legalmente as mulheres tenham plenos direitos de exercer sua força política e pleitear cargos públicos, no que tange à representação feminina na política, a participação e o debate acerca do assunto são muito abaixo do desejado.

 

No Brasil, as mulheres ocupam apenas 15% da Câmara Federal, mesmo com a vigência da Lei 9.504/97, que expandiu para 30% a cota obrigatória de candidaturas femininas para cargos legislativos, exceto no Senado.

 

Em julho do ano passado, o Brasil ocupava a posição de número 140 no que se refere à participação feminina, em ranking que contempla 192 países pesquisados pela União Interparlamentar. Nosso país está atrás de todas as nações da América Latina, com exceção do Paraguai e Haiti. Revelando uma constante de machismo e misoginia em todos os países da nossa região.

 

A política é ainda um território masculino, onde a base dos valores é pautada na força ou agressividade. É preciso mudar a forma de fazer política. Alterar o processo educacional para que meninas se sintam representadas por vozes ativas, resultando em legítimas lideranças políticas. Mudar a perspectiva de quem representa as mulheres no poder, subvertendo a afirmação de que mulheres não votam em mulheres. Precisamos mudar as formas de reconhecimento sobre qual a expectativa de quem me representa no poder político. Enquanto houver essa expectativa masculina, não elegeremos mulheres, porque nem sequer as mulheres vão votar nelas.

 

Ainda há um longo caminho de conquistas para que se transforme a paisagem de gênero na política dos países latino-americanos e, em especial, o Brasil. Enquanto isso, pequenas transformações acontecem no Brasil e no mundo, como a eleição de mulheres negras e jovens, talvez tenham escutado o conselho de Shirley Chisholm, a primeira mulher negra eleita ao congresso nos Estados Unidos: “Se eles não lhe oferecerem um lugar à mesa, carregue uma cadeira portátil”.

 

 

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Por Patrícia Bordinhão

Patrícia Bordinhão é Advogada, Coordenadora de ensino, Professora universitária, Diretora da OAB Mulher Leopoldina/RJ, Secretária geral da Comissão da Mulher da ABA do Rio de Janeiro e Membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da ABA.

comentários

Graziella Lino | 18/02/2022 à51 20:39

Que texto sensacional!!! Parabéns, Professora Patrícia!👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Ser mulher é enfrentar diversos desafios, mas nada que nos faça desistir de lutar ainda mais.

Julia Torres Kerr Pinheiro | 18/02/2022 à39 19:41

Dra. Patrícia Bordinhão, as reflexões que você traz são necessárias e urgentes! Parabéns pelo belíssimo trabalho! Vamos juntas!

Suchilla Tenorio | 18/02/2022 à19 19:11

Que texto incrível! Apesar da representatividade ser pequena, devemos ir a luta! Vamos tomar partido! Obrigada por essa contribuição! Parabéns!

Nattasha F Velasco | 18/02/2022 à17 19:07

Parabéns, professora Patrícia!!!! Texto extremamente necessário!!!! Vamos ocupar nossos lugares!!! Nem que seja de cadeira portátil!

Danilo Oliveira Pontes | 18/02/2022 à32 19:04

Patrícia, parabéns pelo seu artigo. Sem dúvidas, o ponto que tocas é nevrálgico num dos muitos que são necessários, serem mexidos, para que tenhamos uma mudança social verdadeira. Estimo que continue nessa pegada. Você é brilhante! Espero lê-la novamente. Parabéns!

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