Faltam
para o início das aulas da Graduação Digital!
Nota 10
09/01/2026 por Dianne Caamaño
Tempo de Leitura: 3 minutos
O Caso Varginha voltou ao debate público com a exibição de uma nova minissérie na televisão brasileira. O episódio, que teve início em 20 de janeiro de 1996, completa 30 anos em 2026 e segue mobilizando discussões sobre a existência ou não de vida extraterrestre. No entanto, mais do que retomar o acontecimento em si, o contexto atual nos convida a uma reflexão mais ampla: como essa história seria construída, interpretada e disseminada se ocorresse hoje?
Nos anos 1990, a circulação da informação dependia majoritariamente dos meios tradicionais, como jornais impressos, rádio e televisão. Atualmente, vivemos em uma sociedade hiperconectada, marcada pela presença constante das redes sociais, pelo uso crescente da inteligência artificial e pela mediação dos algoritmos na distribuição de conteúdos. Nesse cenário, a construção da narrativa sobre o Caso Varginha seria radicalmente diferente, revelando transformações profundas nos processos comunicacionais contemporâneos.
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Se, no passado, a repercussão do caso se deu por meio de reportagens e programas especiais, hoje o primeiro registro provavelmente surgiria em forma de vídeo curto, gravado por testemunhas e publicado nas redes sociais. Um relato em primeira pessoa, uma imagem de baixa qualidade e uma legenda provocativa seriam suficientes para transformar um acontecimento local em um fenômeno global. A lógica da viralização e das trends digitais passaria a orientar a circulação da informação desde os primeiros momentos.
No ambiente digital, a visibilidade de um conteúdo não está relacionada apenas à relevância informativa, mas sobretudo ao seu potencial de engajamento. Os algoritmos privilegiam publicações que despertam emoções intensas, como surpresa, medo ou curiosidade. Nesse contexto, narrativas conspiratórias, edições dramáticas e conteúdos sensacionalistas tendem a alcançar maior alcance do que explicações técnicas ou científicas, influenciando diretamente a percepção pública sobre os fatos.
A multiplicação de emissores também amplia o risco da desinformação. Vídeos fora de contexto, imagens geradas por inteligência artificial e áudios manipulados poderiam circular com rapidez, dificultando a distinção entre fatos verificados e conteúdos enganosos. Ao mesmo tempo, agências de checagem, pesquisadores e profissionais da comunicação atuariam para conter a propagação de informações falsas, evidenciando a importância do jornalismo responsável e da educação midiática.
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A inteligência artificial teria um papel central nesse cenário. Ferramentas capazes de gerar imagens realistas, simular entrevistas e produzir vídeos sintéticos tornariam ainda mais tênue a fronteira entre o real e o fabricado. Esse contexto exige da sociedade, e especialmente dos profissionais da comunicação, letramento digital, ética, pensamento crítico e capacidade de análise das linguagens midiáticas.
Nos anos 90, a informação circulava de forma centralizada, com poucos emissores e um ritmo mais lento, o que favorecia maior confiança nos meios tradicionais. Hoje, a produção de conteúdo é descentralizada, a circulação é instantânea e milhões de criadores disputam atenção nas plataformas digitais. Mais do que uma mudança nos meios, houve uma transformação profunda na forma como interpretamos a realidade, consumimos informação e construímos crenças coletivas.
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Revisitar o Caso Varginha sob uma perspectiva contemporânea permite discutir temas fundamentais para os estudos em Comunicação, como circulação da informação, cultura digital, algoritmos, poder simbólico, ética, desinformação e consumo crítico de conteúdo. Mais do que buscar respostas sobre a existência do ET, o debate convida a refletir sobre como narrativas ganham força, credibilidade e impacto em uma sociedade orientada por cliques, dados e emoções. Essas reflexões dialogam diretamente com a formação em Comunicação, preparando estudantes para compreender, analisar e atuar de forma crítica em um ecossistema midiático cada vez mais complexo.
Apaixonada por livros, séries, cultura pop e tudo que envolva boas histórias, principalmente se vier com uma xícara de café do lado. Amo escrever sobre o que faz a gente pensar, sonhar e se conectar. Por aqui, trago conteúdo com curiosidade, carinho e uma pitada de criatividade.
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