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Institucional
22/04/2026 por Bruna Mariano
Tempo de Leitura: 2 minutos
O período de chuvas no Rio de Janeiro, que frequentemente se estende além de março, traz consigo não apenas temperaturas mais amenas, mas também um aumento significativo nos riscos à saúde pública. Entre eles, destaca-se a leptospirose, uma doença que encontra nas áreas alagadas o ambiente ideal para se disseminar.
A combinação entre acúmulo de água, falhas no saneamento e grandes populações de roedores cria um cenário propício para a circulação da bactéria responsável pela doença. Transmitida principalmente pelo contato com água contaminada pela urina desses animais, a leptospirose afeta tanto seres humanos quanto diferentes espécies animais.
É uma infecção complexa, que envolve múltiplos hospedeiros. Além de cães e pessoas, animais de produção e até espécies silvestres podem participar do ciclo da doença. Em muitos casos, esses animais não apresentam sinais evidentes, mas continuam propagando a bactéria no ambiente, se tornando disseminadores do agente infeccioso.
A Leptospira possui mais de 250 sorovares – um sorovar é como uma “versão” específica de uma bactéria, identificada por diferenças minúsculas em sua superfície que o sistema imunológico reconhece – a sua infecção acontece de forma ativa pela penetração por pequenas lesões na pele ou por contato com mucosas, o que aumenta o risco em situações de enchentes. Além disso, sua predileção pelos rins permite que ela continue sendo eliminada por longos períodos, dificultando o controle da doença.
Dessa forma, o conceito de Saúde Única (One Health) se mostra fundamental. A interdependência entre saúde humana, animal e ambiental exige estratégias integradas de prevenção. A observação de casos em animais, especialmente em cães expostos a ambientes externos, pode servir como um importante indicativo para riscos à população humana. E o aumento da incidência de cães acometidos com febre alta, letargia, perda de apetite, vômito, diarreia e sede excessiva com urina aumentada (ou escura com sangue), são indícios para uma consulta de urgência ao Médico Veterinário. Em casos mais graves sinais de icterícia (pele e olhos amarelados) surgem junto com úlceras na boca, hálito forte e complicações como falência renal/hepática ou hemorragias.
A prevenção passa por diferentes frentes. A vacinação de animais domésticos, por exemplo, é uma medida essencial, especialmente em regiões com maior incidência da doença e com histórico de alagamentos. Além disso, evitar o contato com água de enchentes, manter ambientes limpos e reduzir a presença de resíduos que atraiam roedores são ações indispensáveis.
Em situações de alagamento, a limpeza adequada dos espaços também é determinante. O uso de soluções desinfetantes, como água sanitária diluída, contribui para eliminar a bactéria. Aliado a isso, o uso de equipamentos de proteção, como luvas e botas, é fundamental para reduzir o risco de infecção.
A leptospirose evidencia a necessidade de conscientização coletiva e atuação integrada entre profissionais de saúde, poder público e sociedade. O cenário climático que favorece a persistência da bactéria, especialmente em períodos úmidos, a informação e a prevenção se tornam as principais ferramentas de enfrentamento.
“Este texto foi desenvolvido por Damazio Campos, Coordenador do curso de Medicina Veterinária, com base nas informações fornecidas por ele. O conteúdo foi reescrito e adaptado para esta publicação, mantendo as ideias centrais, mas utilizando uma nova redação.”
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