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Fan Fests e Copa: o que os megaeventos ensinam sobre o futuro das cidades

Saiba como Fan Fests e urbanismo tático podem deixar legados duradouros para as cidades.

  • Institucional

10/07/2026 por Bruna Mariano

Tempo de Leitura: 4 minutos

Quando a Copa começa, os olhares costumam se voltar para os estádios, os resultados e os craques em campo. Mas há outro espetáculo acontecendo longe das quatro linhas: a transformação temporária das cidades para receber milhares de pessoas e criar experiências coletivas capazes de mudar a relação entre os cidadãos e o espaço urbano. 

Praças, parques e avenidas deixam de ser apenas locais de passagem para se tornarem pontos de encontro, celebração e convivência. As chamadas Fan Fests e zonas de pedestres revelam como arquitetura e urbanismo podem influenciar diretamente a forma como as pessoas vivem, interagem e constroem memórias em comum. 

Segundo as professoras Maria Izabel de Paula Ribeiro, do curso de Arquitetura e Design, e Roberta Almeida de Freitas Pessoa, de Arquitetura e Urbanismo da UNISUAM, esses espaços temporários vão muito além da função festiva. “Eles funcionam como verdadeiros laboratórios urbanos, onde é possível experimentar novas formas de ocupar a cidade e fortalecer o sentimento de pertencimento”, destacam as docentes. 

QUANDO A CIDADE MUDA PARA ACOLHER AS PESSOAS 

Durante grandes eventos esportivos, é comum que áreas públicas sejam adaptadas para receber grandes fluxos de visitantes. Ruas podem ser fechadas para veículos, praças ganham estruturas temporárias e espaços antes subutilizados passam a abrigar atividades culturais e de lazer. 

Essas intervenções fazem parte do chamado urbanismo tático: estratégias rápidas, adaptáveis e reversíveis que reorganizam o uso da cidade em períodos específicos. “Essas experiências mostram que o espaço público pode ser mais humano, mais acessível e mais voltado para a convivência”, explicam Maria Izabel e Roberta. 

Ao transformar áreas do cotidiano em ambientes de permanência e encontro, os megaeventos permitem que a população experimente novas maneiras de se relacionar com a cidade. 

FAN FESTS: ESPAÇOS DE ENCONTRO E DIVERSIDADE 

A Copa reúne pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e histórias em um mesmo território. E é justamente nos espaços públicos que essa diversidade ganha forma. Nas Fan Fests, desconhecidos compartilham emoções, torcem lado a lado e constroem experiências coletivas que dificilmente aconteceriam em outras circunstâncias. 

As professoras destacam que esse é um dos grandes potenciais dessas ocupações temporárias. “Por alguns instantes, a cidade parece suspender parte do individualismo que marca a rotina urbana. O encontro passa a ocupar o centro da experiência.” 

Essa percepção dialoga com os estudos da arquiteta e urbanista Adriana Sansão Fontes, referência brasileira no tema, que identifica nessas intervenções uma capacidade singular de estimular proximidade, acolhimento e trocas sociais. 

PLANEJAMENTO: O QUE O PÚBLICO NEM SEMPRE VÊ 

Se por um lado esses espaços transmitem leveza e espontaneidade, por outro exigem um planejamento extremamente cuidadoso. Garantir conforto, segurança e acessibilidade para milhares de pessoas envolve uma série de decisões técnicas. 

Entre os aspectos fundamentais estão: 

  • Controle e organização dos fluxos de circulação;
  • Mobiliário urbano temporário adequado;
  • Sinalização clara e inteligente;
  • Infraestrutura sanitária eficiente;
  • Gestão de resíduos;
  • Estratégias de mobilidade urbana;
  • Monitoramento e segurança pública;
  • Soluções voltadas à acessibilidade universal.

Segundo os docentes, o sucesso desses ambientes depende justamente da integração entre diferentes áreas do conhecimento. “Criar espaços acolhedores exige planejamento. A experiência positiva das pessoas nasce de decisões projetuais que, muitas vezes, passam despercebidas.”  

O LEGADO INVISÍVEL DOS MEGAEVENTOS 

Quando a competição termina, as estruturas são desmontadas e a cidade retoma sua rotina. Mas será que tudo volta exatamente ao que era antes?

Para Maria Izabel e Roberta, talvez os legados mais importantes sejam aqueles que não podem ser medidos apenas pela infraestrutura construída. “As cidades também são feitas de memórias. Quando as pessoas descobrem novos usos para os espaços públicos, elas transformam a forma como se relacionam com esses lugares.” 

Uma praça antes vista apenas como área de passagem pode passar a ser reconhecida como espaço de convivência. Uma avenida fechada temporariamente ao trânsito pode despertar discussões sobre mobilidade mais sustentável. São mudanças sutis, mas capazes de influenciar o imaginário coletivo. 

CIDADE FLEXÍVEL: UMA NOVA FORMA DE PENSAR O URBANO 

A ideia de uma cidade rígida e imutável vem sendo substituída por uma compreensão mais dinâmica dos espaços urbanos. O conceito de cidade flexível propõe justamente essa capacidade de adaptação: cidades que conseguem responder a demandas extraordinárias sem comprometer sua funcionalidade cotidiana. 

Segundo as professoras, esse olhar é cada vez mais necessário diante dos desafios contemporâneos. “Uma cidade viva é aquela capaz de se reinventar sem perder sua essência.” Isso significa pensar em soluções temporárias, sustentáveis e reversíveis, capazes de acolher grandes eventos sem gerar impactos permanentes negativos para a paisagem urbana e para a população. 

MUITO ALÉM DO FUTEBOL 

A Copa mostra que os megaeventos não são apenas competições esportivas. Eles são experiências urbanas complexas, nas quais arquitetura, mobilidade, sustentabilidade, cultura e convivência se entrelaçam. Ao observar Fan Fests, zonas de pedestres e intervenções temporárias, percebemos que as cidades também podem funcionar como espaços de descoberta, experimentação e encontro. 

Talvez essa seja uma das maiores contribuições desses eventos: nos lembrar que o espaço público tem potencial para aproximar pessoas, estimular novas formas de convivência e revelar possibilidades até então invisíveis no cotidiano. 

Porque, no fim das contas, as melhores cidades não são apenas aquelas que funcionam bem. São aquelas que conseguem criar experiências capazes de fortalecer vínculos, despertar pertencimento e transformar a maneira como vivemos juntos. 

Este texto foi desenvolvido a partir das contribuições das professoras Maria Izabel de Paula Ribeiro, do curso de Arquitetura e Design, e Roberta Almeida de Freitas Pessoa, do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNISUAM. O conteúdo foi reescrito e adaptado para esta publicação, preservando as ideias centrais apresentadas pelas docentes e utilizando uma nova redação para o blog da UNISUAM.

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Por Bruna Mariano

Analista de Marketing no LinkedIn e Blog UNISUAM. Jornalista e Pós-Graduado em Comunicação Digital e Redes Sociais.

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