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Histórias de Sucesso
05/03/2026 por Bruna Mariano
Tempo de Leitura: 3 minutos
Mais do que uma interrupção na comunicação entre cérebro e corpo, estamos falando de um acontecimento que transforma movimentos, sensações, autonomia e perspectivas. E é justamente na Fisioterapia Neurofuncional que esse tema ganha profundidade, complexidade e acima de tudo, esperança.
Quando avaliamos uma lesão medular, o nível da lesão é o ponto de partida. Ele define possibilidades, direções terapêuticas e potenciais de independência. Lesões mais altas tendem a gerar maiores limitações, enquanto níveis mais baixos preservam funções essenciais para a mobilidade e autonomia.
• Lesões cervicais podem levar à tetraplegia, mas cada nível apresenta nuances importantes para o plano terapêutico e alcance de níveis de independência.
• Lesões torácicas geralmente resultam em paraplegia, preservando membros superiores e permitindo independência razoável.
• Lesões lombares e sacrais ampliam ainda mais as perspectivas de deambulação e independência total.
Outro ponto crucial é diferenciar lesões completas de incompletas. Pelo que se sabia até o momento, quando havia uma lesão incompleta com preservação, mesmo mínima, de sensibilidade ou função motora abaixo da lesão, abria-se uma porta enorme para a reabilitação e para a neuroplasticidade fazer seu trabalho.

E é aqui que a ciência surpreende.
Por muito tempo, acreditou-se que a medula espinhal pouco podia se reorganizar após alguma lesão completa. Hoje, estamos descobrindo algo surpreendente: o sistema nervoso aprende, se adapta e cria novas conexões quando estimulamos corretamente- neuroplasticidade. A reabilitação neurofuncional, alinhada a tecnologias e recursos terapêuticos, potencializa caminhos neurais antes considerados impossíveis.
Entre as novas fronteiras de pesquisa, a Polilaminina se destaca.
Derivada da matriz extracelular da placenta, ela cria um ambiente favorável para o crescimento axonal, reorganização sináptica e fortalecimento da neuroplasticidade. É a ciência aproximando o laboratório da prática, abrindo espaço para um futuro em que biomoléculas, terapias celulares e fisioterapia caminham juntas em protocolos cada vez mais eficazes.
Essa linha de investigação dialoga com descobertas conduzidas pela pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, cujo trabalho tem chamado a atenção da comunidade científica. Seus estudos exploram estratégias capazes de estimular a regeneração do sistema nervoso e ampliar as possibilidades de recuperação após lesões neurológicas.
Na prática, a Polilaminina funciona como uma espécie de “andaime biológico” que ajuda os neurônios a crescer novamente e a restabelecer conexões interrompidas após a lesão completa da medula espinhal.
Mas, mesmo diante de avanços promissores, é fundamental compreender o papel central da reabilitação. Como destaca o coordenador do curso de Fisioterapia da UNISUAM, Rodrigo Ribeiro:
“Embora avanços biomoleculares como a Polilaminina ampliem as perspectivas de regeneração e reorganização neural, é fundamental compreender que nenhum recurso isolado substitui a intervenção fisioterapêutica estruturada e baseada em evidências. Na Fisioterapia Neurofuncional, a recuperação depende diretamente de estímulos específicos, repetição orientada, treino de tarefas e estratégias que promovam plasticidade neural adaptativa. Sem um programa de reabilitação bem conduzido, mesmo diante de potenciais inovações terapêuticas, o paciente não atinge ganhos funcionais significativos. A interação entre ciência básica e intervenção clínica é o que realmente transforma potencial biológico em recuperação funcional concreta.”
E aqui mora a grande força da Fisioterapia Neurofuncional. Nenhuma inovação faz sentido sem o olhar clínico, o raciocínio fisioterapêutico e a capacidade de transformar estímulos em funcionalidade real. Somos nós que traduzimos ciência em autonomia, tecnologia em independência, evidência em participação social e qualidade de vida.
Por isso, falar de neurociência, de pesquisas promissoras e de inovação em saúde é também falar de futuro. Um futuro construído pela integração entre pesquisa, prática clínica e profissionais comprometidos em transformar descobertas científicas em cuidado real.
Para quem atua ou se interessa pela área de fisioterapia e reabilitação neurológica, este é um momento importante para acompanhar os avanços da ciência, ampliar o conhecimento e participar ativamente das transformações que estão redefinindo o cuidado em saúde.
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