Projeto: RANICULTURA EMPREENDEDORA
1 – Apresentação
O Brasil é o oitavo país na escala de desigualdade social, estando a frente apenas da latino-americana Guatemala, e dos africanos Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia, segundo o coeficiente de Gini, parâmetro internacionalmente usado para medir a concentração de renda.
A distribuição de renda ainda é um dos piores problemas do país. Estima-se que 1% dos brasileiros mais ricos -1,7 milhão de pessoas - detém uma renda equivalente a da parcela formada pelos 50% mais pobres (86,5 milhões de pessoas). Portanto, há a necessidade de implementação de políticas sociais aumentando a disponibilidade de elementos que atuem na vigilância social.
A desigualdade social pode travar a expansão econômica e tornar mais difícil que os pobres sejam beneficiados pelo crescimento. Altos níveis de desigualdade de renda são ruins para o crescimento e enfraquecem a taxa em que o crescimento se converte em redução de pobreza.
Atualmente existe um crescimento verificado entre as classes mais pobres da população às políticas sociais desenvolvidas. No Brasil, um país onde a desigualdade de renda quase não mudou ao longo dos últimos 30 anos, estamos convivendo, desde o começo desta década com uma gradativa redução das desigualdades.
Apesar de nos últimos anos termos assistido a uma ampliação dos indicadores de desenvolvimento humano - como educação - ainda existem muitos nichos onde as políticas sociais têm dificuldade de atingir. Mesmo em grandes cidades como o Rio de Janeiro, encontramos grupos cuja vulnerabilidade se compara a de regiões tradicionalmente difíceis, como o nordeste brasileiro.
A cidade do Rio de Janeiro viu a partir da década de 80 com a militarização dos comandos aumentar ainda sua desarticulação. Ás desigualdades sociais foram se juntar à ação dos comandos no sentido de isolar as populações já desprotegidas socialmente. Entre os grupos mais vulneráveis estão os trabalhadores desqualificados, as mulheres responsáveis pela criação de sua prole, geralmente aumentada, e as crianças e jovens filhos desses lares matrifocais – que sentem uma grande pressão para entrarem no mercado de trabalho ao ingressarem na adolescência. Ao assumirem as tarefas de pai e mãe, essas provedoras acabam por não estarem presentes o suficiente. Não é a toa que um dos fatores responsáveis pela entrada de jovens no tráfico de drogas seja a falta de supervisão familiar e busca de acosse a bens de consumo.
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2 – Justificativa
A ranicultura é uma atividade agropecuária inserida na aqüicultura e está em franca expansão, principalmente pelo pouco espaço que necessita para a sua implantação, podendo ser mantida por produtores rurais e urbanos que depuserem de pequenas áreas.
A Rana catesbeiana Shaw, 1802, conhecida como rã touro gigante é a principal espécie utilizada nos ranários brasileiros, é originária da América do Norte e foi introduzida no Brasil na década de trinta para a criação intensiva sendo difundida em todo o país devido à facilidade de adaptação e a alta fertilidade. Os empreendedores observaram grandes possibilidades comerciais pelas qualidades nutricionais e o sabor delicado de sua carne. |
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| Trinta e cinco municípios possuem ranários comerciais que poderiam estar com ótima produção, mas devido ao empirismo do empreendimento, dos duzentos instalados, um terço destes faliram por problemas de baixa produção, descontinuidade e mortalidade, principalmente na fase de girinagem. Atividades que capacitem os criadores de rã em cada fase do desenvolvimento do animal, com monitoramento de pessoal especializado, permitem que a ranicultura avance em concomitância com o aumento da geração de renda para essas camadas menos favorecidas levando ao desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida da população atendida. |
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3 – Objetivo
O Projeto em questão objetivará beneficiar comunidades de classes sociais de baixa renda e que precisam ter a inserção social através de estratégias de qualificação para o trabalho, geração de renda e convívio intergeracional no trabalho. Outra vertente tenta vencer o isolamento levando para fora da comunidade em busca de articulação com o restante da cidade. Estas ações ocorrerão através das atividades da ranicultura a ser implementada a partir de cursos de capacitação para o trabalho e sua continuidade. |
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4 – Público alvo
Este público alvo está localizado na Capital do Rio de Janeiro, preferencialmente nas comunidades de baixa renda, que vivem ao longo da autopista Linha Amarela, administrada pela LAMSA, que abrange desde a Cidade de Deus até a Comunidade da Vila Pinheiro, atingindo, principalmente, jovens e adultos, preferencialmente de lares em maior grau de vulnerabilização. |
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5 – Estratégia de ação
Para implementação do projeto é necessário que este seja dividido em etapas, a saber:
5.1 - Curso de capacitação para a comunidade
- Cursos de criação e manejo de rãs, visando, principalmente, a produção dos imagos;
- Curso de gestão de pequenos negócios, incluindo estudos de viabilidade e busca de recursos e parcerias.
- Curso de estratégias de marketing para venda de carne in natura.
5.2 Projeto Educativo - Manejo de rã-touro
Duração: 9 meses
Público alvo: jovens de 12 até 18 anos.
Equipe:
1 Coordenador de produção
1 Técnico – Morador da comunidade
3 Supervisores dos alunos
4 Agentes comunitários
6 monitores da graduação
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Organização:
O trabalho acontecerá de segunda até sexta. Teremos quatro turmas de 20 alunos cada: duas por turno. Os alunos se dividirão em grupos etários: de 12 até 14 e de 15 até 18.
As turmas trabalharão duas vezes por semana separadas. Um dia na semana o grupo todo se reunirá.
Nos dias de reunião geral serão realizadas tarefas de avaliação, planejamento, passeios, atividades culturais, palestras sobre temas escolhidos pelos alunos ou que a equipe de profissionais acreditem que vão facilitar o trabalho.
Critérios de seleção dos participantes:
Jovens de comunidade carente que estejam cursando a escola regular que venham de famílias vulnerabilizadas: matrifocais, pais desempregados, pais apenados, pais doentes.
Os agentes comunitários necessariamente sairão dessas famílias. A idéia é envolver adultos e jovens da comunidade em uma atividade laborativa.
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5.3 – Metodologia da criação de rã-touro
Numa primeira etapa da proposta de projeto entende-se, baseando-se na carência e descontinuidade desta criação, que ocorre a necessidade de se abastecer de filhotes (imagos) a cadeia produtiva da criação de rãs-touro. Conforme já relatado, por diversos setores da criação de rãs-touro, a falta deste animal, já metamorfoseado, portanto, pronto para engorda na fase terrestre, vem estrangulando o avanço da ranicultura. |
5.3 – Metodologia da criação de rã-touro
Numa primeira etapa da proposta de projeto entende-se, baseando-se na carência e descontinuidade desta criação, que ocorre a necessidade de se abastecer de filhotes (imagos) a cadeia produtiva da criação de rãs-touro. Conforme já relatado, por diversos setores da criação de rãs-touro, a falta deste animal, já metamorfoseado, portanto, pronto para engorda na fase terrestre, vem estrangulando o avanço da ranicultura. |
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(a) setor de reprodução, que é constituído de duas áreas distintas: as baias de mantença e as de acasalamento. Na primeira, as rãs reprodutoras são mantidas confortavelmente durante todo o ano, sendo transferidas para as baias de acasalamento quando o ranicultor necessita de desovas. Essas baias de acasalamento podem ser para apenas um casal de cada vez (individualizadas), ou para vários casais (baias coletivas). Após a reprodução, a desova é transferida para o setor de girinos, e o casal retorna para a baia de mantença.
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(b) setor de girinos, que é formado por um conjunto de tanques, construídos em tamanho e número proporcional ao porte do empreendimento. A desova é depositada em uma incubadeira, onde ocorrerá o desenvolvimento embrionário até a saída das larvas, as quais, decorridos alguns dias, darão origem aos girinos propriamente ditos. Nos tanques, os animais vão se desenvolver até a metamorfose em imagos que serão utilizados pelos produtores para a engorda no setor de recria.
Numa segunda etapa, pretende-se organizar, dentro da comunidade, um sistema familiar de desenvolvimento de criação de rãs-touro pelo método vertical de criação, a saber:
(c) setor de recria, constituído por um conjunto de bandejas aquáticas, fazendo o papel das baias convencionais, sendo auto-suportadas dispostas verticalmente em até 21 andares. O ambiente de criação é 100% aquático e a alimentação é feita a lanço, como na piscicultura. Uma rede de abastecimento fornece água aquecida, individualmente para cada bandeja, estimulando o apetite e aumentando substancialmente, o ganho de peso dos animais. Um sistema especial de esgoto retira as sujidades do meio líquido através de um tubo telescópico externo que atravessa verticalmente todas as bandejas. Quando este mecanismo é acionado, os excrementos das bandejas são eliminados de uma só vez, por gravidade. Para instalações maiores e mais complexas, o sistema vertical pode ser ligado a uma fonte de tratamento de água. Após servida, é filtrada e esterilizada; depois, retorna para a rede de abastecimento formando um circuito fechado.
O ambiente criatório é absolutamente higiênico, sem barulhos ou cheiros desagradáveis. Para a rede de esgoto segue somente água previamente processada por filtros biológicos, baias de recria inicial e baias de terminação. Essas baias consistem de abrigos, cochos e piscinas dispostos linearmente e adequados ao tamanho dos animais. As baias de recria inicial recebem os imagos, após a metamorfose, oriundos ou não de uma mesma desova. Quando as rãs alojadas nessas baias alcançam de 30 a 40 g, são triadas e transferidas para as baias de crescimento e terminação. As baias de crescimento e terminação são destinadas a receberem lotes uniformes de rãs oriundas das baias de recria inicial, onde permanecem até atingirem o peso de abate, cerca de 200 gramas. Nesse momento, são enviadas para a indústria de abate e processamento.Um ranário em equilíbrio produz aproximadamente 1 kg de rã viva por mês, para cada 1m² de ranário construído, somando baias de crescimento, engorda e tanques de girinos.
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Entende-se que este projeto visará à inclusão de jovens e adultos no mercado de trabalho do setor aqüícola, vocação do estado do Rio de Janeiro, na área da ranicultura. Para tanto, será necessário um período de capacitação, inscrevendo-se os selecionados em curso teórico-prático, que será administrado por técnicos do setor, podendo-se envolver a UNISUAM, FIPERJ e EMATER nesta etapa do processo.
A metodologia selecionada para o desenvolvimento deste Projeto será realizada por palestras, Cursos de treinamento, dias-de-campo, oficinas de trabalho e demais formas de reunião entre as pessoas, visando sempre:
a) Implementar atitudes cooperativas de forma a contribuir para a melhoria da qualidade de vida, através da multiplicação deste recurso natural e de conhecimentos para preservar o meio ambiente;
b) Difundir informações relativas à importância da aqüicultura como experiência profissional e fonte de renda;
c) Propiciar o desenvolvimento de valores e incentivar mudanças de comportamentos individuais e coletivos, visando o trabalho cooperativado;
d) Difundir noções de saúde pública, sanidade animal e controle de qualidade, visando contribuir para a adoção de procedimentos adequados para o manejo de agronegócio.
5.3.1.9 – Desenvolvimento do Projeto:
O projeto será iniciado com a criação de um centro de produção e treinamento a ser construído nos arredores das comunidades, proporcionando a quebra do isolamento dos indivíduos, levando-os para fora da comunidade, articulando-os com uma sociedade estimulada e produtiva, envolvendo técnicos, estudantes, estagiários, visando estimular a autoconfiança dos aprendizes. Este centro além de transmitir a mensagem do projeto sem a interferência do cotidiano na comunidade gerará a matéria-prima principal (imago) do projeto, podendo servir de mais uma fonte de renda, repassando para os atuais produtores fluminenses e de outros estados, assim como fornecerá à comunidade a “semente” que será propalada, por meio dos ranários familiares, a serem desenvolvidos nas próprias comunidades.
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