Apresentação

Erros inatos do metabolismo (EMI) são alterações permanentes que ocorrem em vias metabólicas específicas por mutações genéticas aleatórias. O bloqueio de uma via metabólica ocasiona o acúmulo de substrato, deficiência do produto de reação ou o desvio da rota metabólica (Touati et al., 2003). Geralmente as moléstias oriundas  são graves e colocam em risco a sobrevida dos indivíduos afetados. Dentre os EMI, a Frutosemia ou intolerância hereditária à frutose ocorre por ausência da enzima hepática aldolase B. Essa enzima é responsável pela quebra de um substrato (frutose-1-fosfato) e todos os sinais e sintomas são decorrentes do acúmulo da frutose-1-fosfato, da diminuição do nível de fósforo inorgânico dentro da célula e das inibições enzimáticas secundárias ao acúmulo de frutose-1-fosfato. A forma de transmissão das doenças é a herança autossômica recessiva, ou seja, os pais não possuem a doença.


Para o sucesso do tratamento, a terapia nutricional deve ser implementada o quanto antes, através da modificação do padrão alimentar do paciente, restringindo os componentes metabólicos e fornecendo nutrientes em quantidades adequadas para possibilitar o crescimento físico e o desenvolvimento neuropsicomotor normais.

Justificativa

Nas últimas décadas o interesse pelo estudo e tratamento dos erros inatos do metabolismo tem sido crescente, com expressivo avanço em conhecimentos clínicos e recursos tecnológicos.
Na frutosemia, o indivíduo não consegue metabolizar a frutose (açúcar encontrado naturalmente nas frutas, legumes, mel, açúcar comum, sorbitol) pois a enzima aldolase B está ausente.
Os sintomas clínicos, que se manifestam após a ingestão de frutose, sacarose ou sorbitol, incluem: dor abdominal severa, náuseas, vômitos, aumento do fígado, irritabilidade, hipoglicemia severa, convulsão e até mesmo coma. Da ingestão prolongada de alimentos que contenham frutose, podem ocorrer lesões renais e hepáticas - como cirrose e eventual falência hepática, que podem levar à morte.

Um dos fatores primordiais no tratamento da intolerância a frutose é a retirada de alimentos que contenham esta substância.   O quadro abaixo mostra os alimentos permitidos e não permitidos para a ingestão.

Alimentos permitidos Alimentos proibidos
Leite materno Fórmulas infantis com sacarose ou frutose
Fórmulas infantis sem sacarose ou frutose Frutas
Carne, aves, peixe, ovos Produtos preparados com açúcar e industrializados (incluindo carnes processadas)
Leite e produtos lácteos sem adição de açúcar Frutose
Gorduras sem adição de açúcar Sorbitol
Gelatina, chá, café Sacarose (açúcar da cana, açúcar de beterraba, glacê)
Vinagre Mel, melaço
Glicose, galactose, lactose Medicamentos com açúcar na composição. Dar preferência para comprimidos
Vegetais (escarola, alface, espinafre, aipo)  
 Ingestão restrita de brócolis, couve-flor, rabanete, pimentão verde, pepino  
Cereais (arroz branco, farinha de centeio, farinha de trigo branca)  

Fonte:
www.hepcentro.com.br, acesso em 19/11/2007.

A carne de rã é indicada no tratamento da frutosemia por apresentar baixo teor de carboidratos e elevado de proteínas (ALMEIDA et al., 2007), como mostra a tabela 2. Possui fácil digestibilidade e é rica em minerais, como o cálcio, e em vitaminas. Portanto a utilização na dieta de pacientes com intolerância a frutose auxilia na oferta de nutrientes para manutenção da saúde colaborando para a qualidade de vida destes indivíduos.

Matéria Prima
Composição Centesimal (g%)

Umidade

Lipídio

Cinzas

Proteína

Glicídio

Carne de rã

7,09

6,51

2,28

83,88

0,24


Tabela 2:
Composição química da carne de rã

Fonte: Almeida et al., 2007.

Objetivo

Utilizar a carne de rã (Rana catesbeiana Shaw, 1802) como base alimentar no tratamento de crianças com erros inatos do metabolismo associados a distúrbios relativos aos carboidratos simples (frutosemia e galactosemia).
Acompanhar a evolução de crianças através de avaliações antropométricas, bioquímicas e nutricionais periódicas, afim de comprovar a evolução na saúde e qualidade de vida destas.



Linha de pesquisa
Técnicas de criação e preparo de organismos aquáticos para fins de comercialização

Área de concentração
Desenvolvimento e trabalho

Parcerias
Laboratório de Pesquisa em Biologia do grupo  “AQUISUAM”
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Abatedouro Rei das Rãs
PESAGRO-RIO
FIPERJ


Público Alvo

Indivíduos que possuam alergia alimentar, intolerância alimentar ou erro inato do metabolismo em vias metabólicas relacionadas à ingestão de carboidratos simples (frutosemia, galactosemia).

Indicadores de acompanhamento da criança

O tratamento nutricional será através da utilização de carne de rã e exclusão dos alimentos que possuam frutose ou vias metabólicas da mesma, na rotina alimentar diária do caso de estudo.

Tratamento dos voluntários:

O sujeito ou responsável que receberá a carne de rã deverá;
1. Assinar Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (anexo 1) e autenticá-lo em cartório.
2. Seguir as orientações fornecidas pela equipe do grupo AQUISUAM.
3. Buscar a carne de rã de acordo com a programação apresentada pela equipe AQUISUAM.
4. Se comprometer a entregar as cópias de exames bioquímicos, antropométricos, cartão da criança ou outro que se julgue importante, anteriores ao início do tratamento com carne de rã para a equipe AQUISUAM.
5. Se comprometer a entregar as cópias de exames bioquímicos, antropométricos, cartão da criança ou outro que se julgue importante, posteriores ao início do tratamento com carne de rã para a equipe AQUISUAM.
6.Comparecer à Instituição, de acordo com a solicitação prévia da equipe AQUISUAM, para entrevistas, exames e avaliações que o grupo julgue necessário.
7. Realizar e entregar o resultado de exames bioquímicos e antropométricos de 2 em 2 meses após o início do tratamento com a carne de rã.
8. Se comprometer a preencher o questionário de freqüência de consumo durante a utilização da carne de rã e entregá-lo a equipe da UNISUAM.


Rodapé - Professores Responsáveis José Seixas Filho e Vinícius Frias de Carvalho