Há 19 anos, um grupo de mulheres do Parque Proletário do Grotão, no Bairro da Penha, vem realizando um trabalho de saúde e de resgate da sabedoria popular. O projeto Sementinha leva receitas simples e de baixo custo aos moradores de comunidades da região.
Com flores, folhas e cascas de árvore elas preparam xaropes, tinturas e chás que são utilizados para as mais diversas doenças.
Nas duas hortas cultivadas por elas, há cerca de 50 variedades de plantas usadas para muitos fins. "A gente se reúne para trabalhar as ervas e fazer diversos produtos. Vendemos para quem precisa pelo preço de R$2, só para ajudar a pagar o custo de alguns materiais", conta Antônia Salustiano da Costa, de 65 anos, moradora do Parque Proletário. Parte da produção do grupo é distribuída entre outras 48 comunidades através da Associação de Moradores do Parque Proletário do Grotão.
Da formação inicial do grupo de 13 mulheres permanecem apenas quatro. As pioneiras são imigrantes de Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte e do interior do Rio de Janeiro. Hoje, o Sementinha é formado também por cinco representantes da segunda geração do trabalho. "Nasci e me criei na comunidade e estou no projeto há 15 anos", conta Maria de Lourdes dos Santos Gomes, 41 anos, moradora do Morro do Caracol e filha de Neusa Dias dos Santos, uma das integrantes iniciais.
Desde 2006, a Unisuam, por meio de Projetos de Pesquisa (PIBIC) do Curso de Farmácia e depois do Curso de Mestrado em Desenvolvimento Local, vem auxiliando a comunidade na melhoria da qualidade dos produtos comercializados e apoio no cultivo das plantas medicinais. Além disso, os projetos visam o resgate e preservação do saber popular por meio da identificação, análise e registro desses saberes. |
Em 1996, um pequeno grupo de indivíduos residentes no Complexo da Maré, reuniu-se para troca de experiências.
Em parceria com o Posto de Saúde, de forma voluntária, começaram a fazer reuniões com o Grupo da 3ª idade, através de encontros, onde eram enfatizados aspectos de práticas que melhorassem a qualidade de vida dos participantes, como por exemplo, práticas desportivas leves na quadra de esportes do Ciep Elis Regina, sob indicação médica do posto de saúde. Desses encontros iniciais, originou-se o GRUPO ASAS (ASSISTÊNCIA SOLIDÁRIA E AÇÃO SOCIAL). Em 2002, o Grupo se formalizou como Entidade Civil, sem fins lucrativos, considerada de Utilidade Pública pela Lei Estadual 4.115/2003.
O Grupo ASAS participou ativamente da implantação da Horta Comunitária da Maré, em 2001, apoiada pelo BNDES e FUNDAÇÃO PARQUES E JARDINS (FPJ) - Projeto Rio-Hortas – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. A horta possui área total de 2220 m2, com 116 canteiros de 10m x 1m X 0.40m, instalada em espaço cedido pelos CIEPS Samora Machel e Elis Regina, na comunidade da Nova Holanda, Bonsucesso.
Desde março de 2002, através de um contrato de adoção, o grupo ASAS assumiu totalmente as responsabilidades pela horta comunitária onde são cultivadas algumas espécies vegetais com baixa produtividade, de forma voluntária pelo grupo da 3ª idade e membros da ONG. A produção é destinada ao consumo dos participantes do grupo.
O complexo da Maré pode ser considerado um dos mais populosos conjuntos de favelas do Município do Rio de Janeiro e de todo país. O complexo se caracteriza por ser um conjunto de favelas planas, intimamente unidas, num total de 17 comunidades, totalizando, no ano 2000, data do recenseamento, uma população de 132.176 pessoas, abrigadas em 38.273 domicílios, com 15m² aproximadamente por domicílio e com IDH em torno de 0,722.
Quando se trata da relação densidade de habitantes por domicílio, verifica-se que com a exceção de Nova Holanda (3,81), onde a horta está inserida, outras comunidades são de menor expressão em termos do tamanho da população que apresentam maior concentração de moradores por unidades domiciliares.
Em 2006 o Brasil lançou o Programa Nacional de Plantas Medicinais, com aprovação da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Engajado nesse propósito, em 2007, o grupo ASAS, com a parceria do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), elaborou o projeto “Formação de Empreendimentos Solidários por meio do Plantio e Comercialização de artesanatos com a utilização de Plantas Medicinais e Aromáticas” no Complexo da Maré, denominado de Cheiro de Vida, que nesse momento, está na fase de busca de parceiros para apoio financeiro.
O projeto Cheiro de Vida, de caráter local, porém replicável, consiste em estimular o uso racional de plantas medicinais, de forma a resgatar e ampliar os conhecimentos populares dos moradores do Complexo da Maré, no cultivo dessas plantas em terreno disponível na própria comunidade, já utilizado para este fim. Num segundo momento, serão confeccionados produtos artesanais baseados nas plantas aromáticas para comercialização, com vistas à futura sustentabilidade do projeto.
A parceria com o Curso de Mestrado Profissional em Desenvolvimento Local da UNISUAM representará a nível local a parceria entre comunidade – universidade e contribuirá para melhoria das condições de vida e da autonomia da própria comunidade beneficiada, que possui atualmente uma população de 133.000 habitantes. |